o George Orwell errou: não temos um Big Brother Watching You. temos uma multidão de little brothers seguindo você por toda parte.
tempos atrás, antes do que chamamos de web 2.0, voce podia fazer parte de um ou outro grupo online e pronto. e usar um ou outro messenger. em cada “lugar” desses você podia se comportar como lhe aprouvesse: mais formal em um, mais informal em outro, etc.
hoje alguém pode acompanhar o que você publica no twitter, no blog, em N comunidades, na TV, radio, etc… e por mais que em cada um você aja de uma maneira que te convém, as pessoas que fazem esse “buffet self-service” da tua vida online vão te cobrar… uma coerência impossível.
ouça um fragmento de pensamento de quem está convivendo dia a dia com diferentes mosaicos de si mesmo
áudio
o lado B da web 2.0: o mito da conversa
eu volta e meia escuto a conversa que tudo é conversa: marcas são conversações, empresas são conversações, internet deve ser uma conversação… ok, a idéia é inspiradora e poética, mas será que se não precisamos conversar mais a respeito?
quando uma conversa é realmente uma conversa? se o James Joyce fosse conversar com os críticos a cada capítulo… teria escrito Ulisses? você prefere ir a um restaurante com um cardápio surpreendente e inovador ou prefere pedir pra ele fazer a comidinha que você comia em casa? quando uma conversa é real e quando é fingida?
ouça um monólogo rápido de quem ainda acredita que diálogo é tão valioso que não podemos ser levianos com o termo
o lado B da web 2.0: it’s all in your mind
suponhamos que você faça parte de uma comunidade online. ou de várias. na prática, pra quem está olhando de fora, isso se traduz em você ligar teu computador, ler e escrever emails. pra quem está olhando, é uma atividade solitária. para você, no entanto, você está interagindo com amigos, participando de histórias, todo um universo complexo… que existe sobretudo na sua cabeça.
você já parou para pensar nisso? já parou para pensar nos mundos e tramas e histórias que você montou na sua cabeça para mapear tuas interações digitais?
e vem a pergunta: quão diferentes são os mapas, projeções, imagens e expectativas e sonhos e afetos de cada um dos envolvidos nessa história toda?
ouça uma reflexão ligeira sobre os castelos de areia e mapas imaginários que construímos entre um bit e outro
o lado B da web 2.0: a grama do vizinho
sim, sim, falei graMa e não graNa. grama, gramado, jardim… estava na hora de falar de coisas mais floridas e fecundas 🙂
estava eu lendo sobre como os gramados impecáveis viraram uma marca registrada da paisagem norte-americana e me caiu uma ficha: a hora que percebermos que todos nós temos um “gramado” online, vamos zelar melhor por ele, pela saúde da internet, pela colaboração online…
ouça uma reflexão solta sobre comunidades online, colaboração, ervas daninhas e urbanismo digital